** Oxandrolona: Um Estudo Detalhado sobre o Esteroide Anabólico **
1. Introdução
A oxandrolona é um esteroide anabólico sintético derivado da testosterona, conhecido por suas propriedades anabólicas e efeitos androgênicos moderados. Este artigo propõe uma análise detalhada sobre a substância, embasada em pesquisas científicas e documentos regulatórios, abordando aplicações médicas e não médicos, perfil de segurança, status legal em diferentes países e sua trajetória de desenvolvimento e aprovação.
2. Informações Básicas e Classificação
Estrutura Química e Propriedades
A oxandrolona é quimicamente classificada como 17β-hidroxi-17α-metil-2-oxa-5α-androstan-3-ona, com uma massa molecular de aproximadamente 306,44 g/mol. Este esteroide anabólico-androgênico é administrado por via oral e possui sua fórmula estrutural amplamente documentada em publicações científicas.
Classificação Farmacológica
Como parte da classe dos hormônios androgênicos ou esteroides anabólicos, a oxandrolona atua como um agonista dos receptores androgênicos (RA), facilitando a síntese proteica e o crescimento muscular, enquanto mantém efeitos androgênicos moderados. Essa característica conferiu à oxandrolona uma reputação de maior segurança, especialmente para o público feminino, embora não esteja isenta de riscos.
Classificação como Substância Controlada
Nos EUA, a oxandrolona é considerada uma substância controlada da Classe III, conforme a Lei de Controle de Esteroides Anabólicos de 1990. No Brasil, sua prescrição para fins estéticos ou de aumento de desempenho atlético é vetada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Outros países como Canadá, Reino Unido e Austrália também regulamentam seu uso por meio de legislações específicas, refletindo um padrão internacional de controle rigoroso.
3. Aplicações Médicas Reconhecidas
Ganho de Peso e Catabolismo
A oxandrolona é utilizada como adjuvante em situações de perda de peso significativa decorrente de cirurgias extensas, infecções crônicas, traumas ou condições idiopáticas. Também auxilia na recuperação do catabolismo proteico induzido por corticosteroides.
Osteoporose e Queimaduras
É empregada para aliviar a dor óssea em casos de osteoporose, embora algumas diretrizes não recomendem seu uso nesse contexto devido à carência de evidências robustas. Em pacientes com queimaduras severas, a oxandrolona mostrou-se eficaz na redução do catabolismo e na aceleração da cicatrização, sendo integrada a padrões de tratamento em unidades especializadas.
Síndrome de Turner e Usos Off-Label
Na síndrome de Turner e em casos de baixa estatura idiopática, a oxandrolona é utilizada off-label, com doses cuidadosamente reguladas para evitar efeitos virilizantes. Outras aplicações off-label incluem distrofias musculares, desgaste associado ao HIV, hipogonadismo e hepatite alcoólica.
4. Mecanismo de Ação
A oxandrolona atua ligando-se aos receptores androgênicos, estimulando a transcrição de genes envolvidos na síntese proteica. Essa ação resulta em aumento de massa muscular magra, melhor retenção de nitrogênio e cicatrização aprimorada.
Além do efeito anabólico, a oxandrolona também impacta sistemas hormonais, suprimindo a liberação de LH e FSH, o que pode levar à diminuição da produção natural de testosterona e da espermatogênese. A substância pode também alterar os perfis lipídicos, reduzindo os níveis de HDL e elevando o LDL, aumentando o risco cardiovascular. Em situações como queimaduras, contribui para modular a resposta hipermetabólica, atenuando o catabolismo induzido pelo cortisol.
5. Efeitos Colaterais e Riscos Associados
Os principais efeitos adversos incluem:
- Hepatotoxicidade: peliose hepática, icterícia colestática e aumento das enzimas hepáticas.
- Complicações Cardiovasculares: dislipidemias, elevação do risco de eventos trombóticos e retenção hídrica.
- Alterações Hormonais: virilização em mulheres, atrofia testicular e ginecomastia em homens, além do risco de fechamento prematuro das placas epifisárias em crianças.
- Impactos Psicológicos: alterações de humor, aumento da agressividade, depressão e insônia.
- Outros Sintomas: acne, perda de cabelo, mudança na libido, micção dolorosa e reações alérgicas.
O uso inadequado da oxandrolona, especialmente em doses elevadas, agrava esses riscos e pode resultar em dependência, efeitos colaterais graves e consequências legais.
6. Status Legal da Oxandrolona
A oxandrolona é estritamente controlada em várias jurisdições:
| País | Classificação Legal | Observações |
|---|---|---|
| Brasil | Substância controlada (prescrição restrita) | Uso estético proibido pelo CFM |
| EUA | Classe III (FDA retirou a aprovação em 2023) | Posse sem receita é crime federal |
| Canadá | Classe IV | Posse pessoal não criminalizada |
| Reino Unido | Classe C | Posse legal; venda é ilegal |
| Austrália | Medicamento sujeito a prescrição | Ilegal sem supervisão médica |
A retirada da aprovação da oxandrolona pelo FDA em 2023, devido à falta de comprovação de eficácia e questões de segurança, provavelmente influenciará decisões regulatórias em outros países e limitará sua disponibilidade, mesmo para usos médicos.
7. Uso Não Médico e em Atletas
O uso não médico da oxandrolona é frequente entre fisiculturistas e atletas, especialmente entre mulheres, devido aos seus efeitos anabólicos com menor risco de virilização. Entretanto, a substância é banida pela Agência Mundial Antidoping (WADA) e sua detecção em testes antidoping pode resultar em punições severas.
Contrariando crenças populares, falta evidência científica sólida que comprove que a oxandrolona melhora o desempenho atlético. O uso recreativo, realizado frequentemente sem supervisão médica e em doses elevadas, acentua os riscos à saúde e aumenta a probabilidade de efeitos adversos graves.
8. Dosagem e Administração Correta
A dosagem de oxandrolona deve ser adaptada à indicação clínica, idade e resposta individual do paciente. Confira um resumo a seguir:
- Adultos: de 2,5 a 20 mg/dia, fracionados em 2 a 4 doses, durante 2 a 4 semanas.
- Crianças: até 0,1 mg/kg/dia, com monitoramento da idade óssea.
- Síndrome de Turner: de 0,03 a 0,06 mg/kg/dia, levando em conta o risco de virilização.
- Idosos: usos com doses menores, atenção especial para retenção hídrica e aumento das transaminases.
O acompanhamento laboratorial é crucial durante o tratamento, incluindo testes para função hepática, perfil lipídico, função renal e níveis hormonais.
9. Histórico de Desenvolvimento da Oxandrolona
A oxandrolona foi criada em 1962 e lançada no mercado em 1964 pela Searle sob a marca Anavar. Após um aumento no uso inadequado, foi retirada do mercado em 1989, reintroduzida em 1995 para uso clínico em situações de perda de peso associada ao HIV. Em 2023, o FDA encerrou sua aprovação, citando falta de eficácia e preocupações de segurança, formalizando assim o término de seu uso nos EUA.
10. Conclusão Final
A oxandrolona é um esteroide anabólico com indicações terapêuticas reconhecidas, especialmente no tratamento de estados catabólicos, queimaduras graves e distúrbios do crescimento. Porém, seu limitado perfil de segurança, potencial para efeitos adversos sérios e o uso não médico disseminado resultaram em rigoroso controle legal e, em alguns países, revogação da sua aprovação.
Portanto, o uso da oxandrolona deve ser restrito a contextos médicos claramente definidos e com acompanhamento profissional adequado. O uso recreativo, além de ilegal em muitas áreas, representa riscos significativos para a saúde e segurança, justificando as atuais medidas regulatórias.
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